
Há muito tempo eu venho com uma ideia em mente – apontar os 10 melhores filmes que eu já vi. Tarefa dificílima essa, por isso protelei o quanto podia. No entanto, sempre chega uma hora peremptória, da qual não podemos mais fugir. E por que essa é uma tarefa ingrata? Primeiro porque há longas maravilhosos que são quase do mesmo nível em muitos aspectos, além do mais, é exatamente em seus pormenores, nas suas pequenas particularidades, que jazem suas qualidades, tornando cada filme uma produção em especial; logo, taxar um como o melhor entre seus congêneres pode ser um risco. Segundo porque o ser humano é muito volátil, o que gera mudanças constantes. Hoje nós afirmamos isto, amanhã, quando tão distante, começamos a duvidar de nossas certezas e começamos a asseverar outra coisa mais atraente. A grande verdade é que filmes, livros, artes em geral entre outros podem ser revisitados e, a cada releitura, somos presenteados com novos ângulos, novas descobertas. E terceiro porque escolhas, gostos são subjetivos, não havendo necessidade de se ter que obrigatoriamente chegar a um denominador comum.
Eu amo assistir a filmes e os vejo quase que diariamente desde que me conheço por gente. Que fique bem claro que não tenho pretensão de ser crítico de cinema, muito menos gabarito ou qualquer estudo no ramo. Aponto aqui, sem vocabulário técnico da área, um top 10 juntamente com a explicação do por que são, sob minha visão amadora, os melhores. Valho-me de meus subterfúgios e ratifico que estou em terreno pantanoso aqui, arrisco-me, contudo, por um bem maior – retribuir as horas inestimáveis e prazerosas que tive com tais produções. Eis o meu modo singelo de homenageá-los:
10º lugar: Uma animação nesta lista? Com certeza. “Mary and Max” é um longa que mexe com qualquer um. É o tipo de filme que toca no fundo da alma de maneira sutil e esperta (abusando das ironias) e que nos faz refletir profundamente. Por vezes, esquecemo-nos que somos todos seres complexos com problemas internos e externos. Esta animação lembra-nos disso enquanto nos apresenta a improvável amizade epistolar entre a garotinha australiana Mary e o americano obeso Max. O olhar em direção aos seres humanos tende a ficar um pouco mais cauteloso e melancólico depois de conferida essa produção.
9º lugar: Um desenho no top 10? Sim, não poderia deixar de colocar “A viagem de Chihiru” nesta lista. Esse filme japonês surreal é uma obra de arte. Foi quase todo pintado a mão, tirando uns três efeitos de computação gráfica. A trilha sonora é linda e cativante. A história, apesar de parecer boba a primeira vista, é uma saga que prende do começo ao fim, uma lição de vida repleta de metáforas poderosas. Um longa-metragem que trata de identidade própria, amadurecimento, amizade, honra, cultura, regras sociais, ganância, materialismo, espiritismo entre outros assuntos. Imperdível!
8º lugar: Pela sua importância e originalidade para época, eu jamais poderia deixar de citar o tão aclamado “Cidadão Kane”, de 1941. O filme quebrou paradigmas – foi o primeiro a inverter a ordem cronológica da narrativa (usando flashbacks) e um dos primeiros a usar certas angulações de posicionamento de câmera (como a cena de restaurante, filmada de cima para baixo no começo de seu quadro. A história é bem costurada, as personagens são apresentadas de maneira coerente e coesa, as atuações são ótimas e o final é revelador. É, sem dúvida, um clássico que não pode deixar de ser visto.
7º lugar: Eu acredito muito em frases de efeito ou motivacionais. A Teoria Behaviorista, aliás, dá base a minha crença. “Rocky, um lutador”, 1976, entra em meu top 10 também por isso. O filme, conforme já havia escrito aqui no blog, funciona de certa forma como uma poderosa arma motivacional ao mostrar a história de Rocky Balboa, um pária social, um analfabeto que vive de bicos e que supera, através de muita determinação, o seu destino miserável, ao provar para ele mesmo que quando se quer, pode-se tudo. A trilha sonora é, como em qualquer filme respeitado, sensacional. Ganhador do Oscar de 1977.
6º lugar: Eu vou trapacear um pouco e, desde já, peço perdão por isso, mas eu não posso deixar de vincular uma obra a outra. O “Poderoso Chefão I” e II são filmes distintos, mas funcionariam perfeitamente se tivessem 6 horas e pouco de vez, como se fossem um só! Ambos são igualmente fantásticos. Os filmes são clássicos obrigatórios e só por essa razão já mereciam estar aqui, mas há muito mais: a atuação fenomenal de Marlon Brando no primeiro, a trilha sonora imortal, a história bem costurada, o suspense em dose cavalar em tempo perfeito, a violência justificada e estilizada, entre outros aspectos que tomariam linhas e mais linhas.
5º lugar: Você já ouviu que jamais devemos julgar um livro pela capa? Pois é, aqui vai um exemplo disso: um filme japonês que pela sinopse parece melodrama puro, de história fraca e narrativa claudicante e ainda com promessas daquelas musiquinhas irritantes e insistentes. Bem, parece isso em princípio, mas eu garanto que não é. “A partida” é um filme lindo, maravilhoso, que faz as lágrimas correrem fácil. A trilha sonora é do fantástico Joe Hisaishi, o mesmo de “A viagem de Chihiru”, que também está neste top 10 e a narrativa é envolvente e emocionante. E eu que nunca havia nem sequer imaginado que até na morte poderia haver poesia e arte. Lindo de morrer!
4º lugar: O que posso dizer sobre este filme? Simplesmente arrebatador, contundente, tocante ao extremo e inesquecível. “A lista Schindler” é realmente maravilhoso. Steven Spielberg dá um show de direção nesse longa. A sua mão atuante, o seu toque mágico, é sentido do começo ao fim. Cada detalhe, cada fiapo de emoção que ele pode nos passar, ele capturou e transmitiu. A menina de vestido vermelho em meio ao resto em preto e branco é coisa de outro mundo (o filme todo é, propositalmente, em preto e branco trabalhado).
3º lugar: Este filme é, sobretudo, comovente. Não há como deixar de se emocionar com a história de vida de nosso personagem principal, Forrest Gump, que também dá nome ao filme. “Forrest Gump – o contador de histórias” é uma aula sobre como montar magistralmente uma narrativa épica. Mostrar a vida de um sujeito comum, que tinha tudo para passar a vida “invisível” (haja vista o seu baixo Q.I.), vivenciando uma parte importante da história norte-americana (através de efeitos especiais meticulosos e audaciosos para a época), sendo o protagonista (de forma dramática, divertida e romântica) por onde quer que fosse, é uma grande sacada. O roteiro, a trilha sonora, as atuações de Sally Field, Gary Sinise e, principalmente, Tom Hanks são fenomenais. “A vida é como uma caixinha de surpresas”. Esse filme é, deveras, uma surpresa grata!
2º lugar: Quentin Tarantino é um dos meus diretores prediletos, pela sua genialidade, atitude, extravagância e originalidade. O filme “Pulp Fiction – tempo de violência” possui tudo isso e mais um pouco. O modo como ele tece a história é fenomenal. A violência sanguinária e precisa mais uma vez é a assinatura de Tarantino. Os diálogos são ágeis, divertidos e impagáveis. A trilha sonora, como na maioria de seus filmes, é esplêndida. A atuação de John Travolta, até então desacreditado e no ostracismo (talvez devido ao seu ganho de peso na época), é resgatado por Quentin e tem uma atuação maravilhosa. Samuel L. Jackson, um dos meus atores preferidos, não fica nada atrás e dá um show.
1º lugar: Eu vi esta obra de arte pela primeira vez no ano de seu lançamento – 1994. Foi um ano de excelentes produções (“Pulp Fiction” e “Forrest Gump”, por exemplo). Contava, naquela época, quatorze anos. Apesar da imaturidade e falta de experiência, foi exatamente ao término de sua primeira exibição que decidi que aquele seria o filme de minha vida, o número um! “Um Sonho de Liberdade” (The Shawshank Redemption) de Frank Darabont. Direção e roteiro perfeitos. A história é emocionante e prende do começo ao fim, através das duas horas e vinte dois minutos. A trilha sonora é maravilhosa. Morgan Freeman é um dos melhores atores norte-americanos que existe e no filme, como não poderia deixar de ser, a sua atuação é fenomenal, assim como a de Tim Robbins, personagem principal. Tudo se encaixa perfeitamente para que a engrenagem funcione e nos seja proporcionado um espetáculo emocionante e inesquecível, fazendo desse longa-metragem o melhor filme de todos os tempos!
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Nem eu pude acreditar que deixei algumas outras obras geniais de fora como O último dos Moicanos, Star Wars IV, uma nova esperança, de 1977 e Star Wars V, O Império contra-ataca, O sol é para todos, Réquiem para um sonho, Lawrence da Arábia, A felicidade não se compra, Cães de aluguel, Kill Bill, Bastardos inglórios, Indiana Jones e os caçadores da arca perdida, Psicose, de 1960, A vida dos outros, O efeito borboleta, alguns filmes de Pedro Almodóvar, Woody Allen e Clint Eastwood, Clube da luta, O labirinto do Fauno, Um estranho no ninho, Os bons companheiros, Dogville, Closer, Beleza americana, Laranja mecânica, À espera de um milagre, Donnie Darko, O túmulo dos vaga-lumes e por aí vai. Lamento imensamente essas ausências e tantas outras. Enfim, deixo, então, a minha homenagem com que eu tinha de melhor.
Cadu,
ResponderExcluirNão está em ordem de preferência, pois, quando falamos em tops, não há medida para essa diferença, penso que muitos, inclusive, estão em primeiro =D
Cidadão Kane
O poderoso chefão
Ben Hur
Lawrence da Arábia
Forrest Gump
O Império Contra-ataca
A lista de Schindler
O Iluminado
Amarcord
Senhor dos Anéis
Carlos Eduardo F. Martins uau... na sua lista há filmes são da minha esfera de pesquisa que é a Educação Especial Escolar e Não-Escolar, inclusive com alunos-hospitalizados... nossa, mais próximo da gente impossível: Réquiem para um sonho (medicalização); Mary and Max (Asperger); [3] Depois vc cita Almodóvar: Carne Trêmula (deficiência física) e Tudo Sobre Minha Mãe (hospitalização); A Partida (morte e vida)... Em fim adorei a lista, mas quis comentar filme que tem tudo conosco... - Hiran Pinel, UFES/ CE/ PPGE...
ResponderExcluiresqueci de citar A viagem de Chihiru... Obra de arte... Hiran Pinel...
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