
As luzes vermelhas de neon piscavam incessantemente na placa. A palavra “motel” reluzia ao longe, ofertando um convite libidinoso àqueles que ousassem encará-la. “Penetre-me, o prazer jaz aqui”, sussurrava a placa fogosa ao pé dos ouvidos dos mais incautos. E quantos caiam, diariamente, nas teias daquela chamada luxuriante e hipnótica. Esta é uma amostra da vida de seu Borges, um desses homens ingênuos e desejosos, que estava, nos últimos meses, a procura de novas experiências.
Durante cerca de oito meses, seu Borges encarava a placa do motel e ouvia dela promessas indecentes, lascívias tentadoras. Em seu interior, o motel prometia-lhe momentos indescritíveis. “Dentro de mim, não há limites! Você pode tudo! E sabe o que mais? Será um segredo só nosso!”, atormentava-lhe.
Vinte longos anos de um casamento sem graça e reprimido. Um matrimônio preenchido com um respeito quase sacro, construído sobre paradigmas morais e sociais, salpicado com restolhos de sexo maquinal e envolto na completa ausência de amor. Agora, divorciado, e com uma nova companheira, seu Borges decidira que não seria privado de mais nada. Todos os seus desejos e vontades reprimidas haveriam de vir à tona para, então, serem saciados. Afinal, conforme alguns diziam, a vida é curta e só se vive uma vez. Até agora, ele não havia vivido. “Talvez, a vida fosse para poucos”, pensava eventualmente. Impulsionado, portanto, por essa revolta impregnada de uma obscura opressão matrimonial experimentada por anos e por um desejo inquietante de conhecer as entranhas do motel e suas promessas promíscuas é que seu Borges muniu-se de coragem e foi fazer o convite à nova parceira.
Em casa, deitado na cama de casal ao lado da amada, seu Borges permaneceu calado por um instante. A verdade é que a repressão deixara-lhe máculas, apesar dele querer ser um novo homem. Pensou na reação da cúmplice ao receber a proposta e até mesmo como seria o seu comportamento em caso de recusa por parte dela, já que seu querer era quase insuportável. Enfim, após certo hiato, como se tivesse tido a ousadia de jogar-se de um precipício, as primeiras palavras foram disparadas como uma rajada de balas:
– Escute-me, amor, eu preciso lhe falar – as palmas das mãos e os solados dos pés umedeceram. – Já há alguns meses, eu quero lhe propor algo, uma ideia que fica me afligindo – seu constrangimento era evidente. – Você sabe que no caminho para o meu trabalho, eu sempre passo pela Avenida Ambrósia, não é? – a parceira fitava-o com certa indiferença. – E lá há um motel... Pois bem, nós nunca fomos a um motel... Eu mesmo nunca fui a um motel... Enfim, eu acho que seria bom para o começo de nosso relacionamento – sentenciou finalmente.
Ela continuou a encará-lo, aparentemente alheia a proposta, no entanto, o silêncio foi entendido por ele como se ela tivesse assentido. A ordem foi dada e seria cumprida. O homem regozijou-se instantaneamente. Agora seu mundo estava completo. Uma satisfação predadora chacoalhou suas bases. Seu desejo recôndito seria realizado finalmente. Beijou-a, acariciou-a e ficou abraçado com ela por um longo período. Naquele momento, ele teve a certeza que havia feito a escolha certa. Ali na cama, ao seu lado, a melhor companheira que poderia ter para toda a vida; afinal, ela jamais lhe negaria coisa alguma. Não senhor, ele nunca seria contrariado por aquela amável boneca inflável.
Durante cerca de oito meses, seu Borges encarava a placa do motel e ouvia dela promessas indecentes, lascívias tentadoras. Em seu interior, o motel prometia-lhe momentos indescritíveis. “Dentro de mim, não há limites! Você pode tudo! E sabe o que mais? Será um segredo só nosso!”, atormentava-lhe.
Vinte longos anos de um casamento sem graça e reprimido. Um matrimônio preenchido com um respeito quase sacro, construído sobre paradigmas morais e sociais, salpicado com restolhos de sexo maquinal e envolto na completa ausência de amor. Agora, divorciado, e com uma nova companheira, seu Borges decidira que não seria privado de mais nada. Todos os seus desejos e vontades reprimidas haveriam de vir à tona para, então, serem saciados. Afinal, conforme alguns diziam, a vida é curta e só se vive uma vez. Até agora, ele não havia vivido. “Talvez, a vida fosse para poucos”, pensava eventualmente. Impulsionado, portanto, por essa revolta impregnada de uma obscura opressão matrimonial experimentada por anos e por um desejo inquietante de conhecer as entranhas do motel e suas promessas promíscuas é que seu Borges muniu-se de coragem e foi fazer o convite à nova parceira.
Em casa, deitado na cama de casal ao lado da amada, seu Borges permaneceu calado por um instante. A verdade é que a repressão deixara-lhe máculas, apesar dele querer ser um novo homem. Pensou na reação da cúmplice ao receber a proposta e até mesmo como seria o seu comportamento em caso de recusa por parte dela, já que seu querer era quase insuportável. Enfim, após certo hiato, como se tivesse tido a ousadia de jogar-se de um precipício, as primeiras palavras foram disparadas como uma rajada de balas:
– Escute-me, amor, eu preciso lhe falar – as palmas das mãos e os solados dos pés umedeceram. – Já há alguns meses, eu quero lhe propor algo, uma ideia que fica me afligindo – seu constrangimento era evidente. – Você sabe que no caminho para o meu trabalho, eu sempre passo pela Avenida Ambrósia, não é? – a parceira fitava-o com certa indiferença. – E lá há um motel... Pois bem, nós nunca fomos a um motel... Eu mesmo nunca fui a um motel... Enfim, eu acho que seria bom para o começo de nosso relacionamento – sentenciou finalmente.
Ela continuou a encará-lo, aparentemente alheia a proposta, no entanto, o silêncio foi entendido por ele como se ela tivesse assentido. A ordem foi dada e seria cumprida. O homem regozijou-se instantaneamente. Agora seu mundo estava completo. Uma satisfação predadora chacoalhou suas bases. Seu desejo recôndito seria realizado finalmente. Beijou-a, acariciou-a e ficou abraçado com ela por um longo período. Naquele momento, ele teve a certeza que havia feito a escolha certa. Ali na cama, ao seu lado, a melhor companheira que poderia ter para toda a vida; afinal, ela jamais lhe negaria coisa alguma. Não senhor, ele nunca seria contrariado por aquela amável boneca inflável.
O desejo é inerente ao ser humano e só cessa com a morte. Reconhecendo esta verdade é necessário que saibamos lidar com nossos desejos e mediá-los segundo as interdições que a sociedade e a nossa própria consciência nos impõe.
ResponderExcluirAs interdições mais severas e frequentes são aquelas advindas de nossa consciência.
A bagagem cultural, os aspectos da criação recebida e as ditas normas morais costumam causar conflito entre o que se sente e "aquilo que se é permitido fazer".
Este impasse será constante ao longo da vida e a mediação entre ele é sempre uma jornada pesada que deve ser cumprida afim de se alcançar o equilíbrio.
Paula Freitas
A procura de novas experiencias as vezes da’ medo e envolve muitas refleccoes e coragem de tomar decisoes.
ResponderExcluirTalvez o senhor Borges fantasiou fazer com a “boneca” o que ele sempre quis fazer com a pessoa amada.
Com medo da resposta negativa,ou mesmo por falta de coragem de falar, preferiu realizar as suas fantasias com a "boneca" que nao tem nenhum senso critico.
Por falta de comunicacao e socializacao, muitas pessoas se isolam das pessoas amadas, mesmo estando bem proxima delas.
Se ele proporcionasse a pessoa amada, o que ele proporcionou a “boneca,” talvez o relacionamento dele nao seria tao desgastante.
ES
O meu amigo sempre aparece com um texto revelador sobre as diversas faceta dessa sociedade dominada pelos vícios. O Borges é um legítimo representante dos hábitos comportamentais, da maioria dos seres humanos do nosso tempo. O homem está tão preso a personalidade que se submete a todos os desejos mesquinhos e animalescos do corpo, e se esquece dos ditames da alma.
ResponderExcluirNão quero aqui, ser nenhum puritano, ao ponto de criticar o sexo de forma condenável; mesmo porque, o sexo é saudável e fundamental na preservação da vida. Faço apenas um questionamento sobre a finalidade do amor de um homem e uma mulher, neste momento, em que o sexo deixa de ser tabu para entrar no campo da libertinagem: O amor sexual continua tendo como finalidade a felicidade ou o que importa é um instante de satisfação? Compreendemos realmente a diferença entre felicidade e satisfação?
Bem, pelo que demonstra o Borges com a sua boneca inflável, é que começa a romper-se as leis da natureza, o que era tradicional, o amor entre o homem e uma mulher sexualmente expressado, já não serve. Saímos do triste quadro clínico de uma disfunção biológica de corpos, que se distanciam do que chamamos homem e mulher e passamos a uma enfermidade da psique.
J Vieira
muito bom, parabéns rs
ResponderExcluirUma nova experiência! Este texto é muito interessante pois nos permite por um momento nos despir dos paradigmas que cercam nossa vida cotidiana e fantasiar momentos diferentes únicos com liberdade! Antes de terminá-lo já sentimos o peso das correntes que nos colocam de pé no chão todos os dias ,para não fazermos o que realmente queremos,momentaneamente e de nos arrenpenderemos mais tarde!
ResponderExcluirmuito bom kkk parabens
ResponderExcluirte amo
fora do texto
ResponderExcluircada minuto com voce e inesquecivel ,quero sua amizade para sempree, porque Deus uniur a gente e nada a de nos separa
abrigado por ter que me aguentar todos os dias e me fazer a pessoa mais feliz da vida
te amo Carlos
Muito legal,mas esse homen poderia ter dado todo esse amor para uma mulher que a ame - por que o sexo é uma relaçao que fluir do amor.Muitas esposas não compreendem o que o sexo realmente significa para o homem, e isso, muitas vezes, leva a uma conclusão errônea, que abafa sua capacidade natural de corresponder às iniciativas dele.
ResponderExcluirmuito bom...
(risos)
ResponderExcluirCaraca... que experiência hem...!
não seria melhor se ele passasse com alguém "de verdade"? seria bem melhor(eu acho e... nada contra as bonecas inflável!)(gargalhadas)