
Eu devo admitir ter, assim como muitos estetas e estudiosos de línguas, certa aversão aos clichês, simplesmente por achá-los desbotados, no sentido de terem perdido o brilho que deveriam ter outrora, em seus primeiros usos. Contudo, sem subterfúgios, na grande maioria das vezes, é difícil fugir dos chavões, pois esses conglomerados de palavras prontas estão aí para serem usados quando a criatividade está em baixa, ademais, o leitor, de certa forma, sente-se confortável ao encontrá-los, o que torna todo o processo de leitura mais fácil para todos. Enfim, perdão por esse título tão batido e este introito, talvez, desnecessário.
Apesar do título surrado, às vezes usado de maneira indiscriminada, eu estou sempre me perguntando qual parte dele nós, os nativos destes trópicos, não absorvemos? Sendo ainda mais claro – por que os brasileiros não entendemos que ler é fundamental?
É importante apressar-me em escrever, antes que comecem os pungimentos, esclarecendo aos mais esclarecidos, que não há nenhum erro no parágrafo acima; apenas usei de um recurso da língua, uma figura de construção de linguagem, a silepse de pessoa, para incluir-me entre o povo brasileiro (ainda tenho orgulho de ser um!) e sua escassez de leitura, pois faço parte dessa coletividade que deveria ler mais, confesso aqui a minha parcela de culpa.
Voltando à minha indagação, sem mais protelações, temos muitas respostas plausíveis que ajudam a explicar o porquê de nossa resistência à leitura. A inexistência de uma cultura de apreciação do ato de ler, a carência de políticas governamentais de incentivo à leitura, o descaso com o sistema educacional deste nosso país ainda em desenvolvimento e a nossa falta de ciência sobre a profundidade do significado de nosso chavão introdutório (insisto!) são alguns desses prováveis fatos.
Dito isso, atemo-nos somente a essa última questão, que pulsa nos cantos recônditos de nossas mentes e aterroriza-nos vez ou outra, para tentar decifrá-la – ler é fundamental, principalmente, porque liberta-nos, levando tanto ao autoconhecimento quanto ao alheio. Ambos os conhecimentos são a chave para a nossa libertação. Ninguém pode ser livre sem essas noções, pois impera a ignorância, que é uma das principais armas da escravização.
A leitura abre-nos portas, aflorando nossa percepção e visão de mundo. Esse hábito saudável situa-nos, deixando-nos cientes sobre os nossos direitos e deveres na sociedade da qual fazemos parte e no mundo, o que nos torna cidadãos conscientes. O indivíduo, com o passar do tempo, deixa de ser passivo, tornando-se, evidentemente, um agente ativo no meio em que vive, pois, com sua identidade construída e conhecida, o sujeito deixa de ser dominado por ideias prontas e impostas. A pessoa que lê constrói suas próprias ideias e governa seu próprio caminho, munido de uma reflexão crítica e astuta.
Diversos estudos científicos mostram que apenas uma baixa porcentagem da inteligência é herdada de nossos pais, a grande parte restante dela é construída através de exercícios intelectuais, e ler é uma dessas ferramentas. É inegável: a leitura além de enriquecer nosso vocabulário (afirmação que ouvimos sempre), edifica e fortalece nosso intelecto.
O ato de ler traz tantos benefícios e é realmente tão importante, que se discorreriam linhas e mais linhas sobre o assunto, e, mesmo assim, haveria injustiças (como agora) – faltariam comentários sobre as outras inúmeras vantagens de ser um leitor corrente.
Porém, a grande verdade é que apenas com a ação posta em prática, no caso, ler habitualmente, o cidadão sentiria esses favorecimentos gradual e automaticamente. De nada adianta compreender parcialmente que a leitura é importante, se não começar a ler de fato. Esse hábito, como qualquer outro, enraíza-se e é cultivado através de repetições, da rotina, e, para tanto, é preciso dedicação e esforço, principalmente no início desse processo. A apreciação, o gosto pela leitura, vem, naturalmente, com o passar do tempo; a mente pede, é como um vício, um vício saudável.
Seu texto é bonito e elegante; e este especificamente, reflete o que comentamos na festa de anivérsário do Vinícius.
ResponderExcluirSeu amigo
J Vieira
Ahuahuahuahuahuahuhaa... Muito bom professor.. ri muito.. e o que você disse é verdade.
ResponderExcluireu sumi uns tempos por estar sem computador, mas sempre que der eu venho aqui sim.
Muito bom seu blog;
Hi Eduardo,
ResponderExcluirHere I am, again, making comments about your “creation, or translation’s skills.” I hope you, or your readers don’t get bored with my subjective comments. Ha-ha…
Poem’s translation, sonnets, short poems, informative texts about diverse areas are your styles of writing skills. It’s admirable and fascinating to see your connection with the literature’s world and how you put this connection into words.
It demonstrates that you are a good writer and a good reader as well, even though you “don’t read that much”, as you said on one of your texts, you are a good reader for understanding what you read and for showing your writing skills comprehensible to who know how to read texts in a “meaningful and understandable way. We call this here, in USA as “The Critical Reading.”
“Critical Reading” is the capability, or the ability to understand in a meaningful way what the author is really talking about. Some people who have high reading skills levels can go forward to what the author says; it will depend on their comprehensible background knowledge and on their developmental reading skills’ level. It has been proved already, that the more you read, better will be your comprehension and your writing skills. Only who read and understand what they read are able to write properly and enjoy what they read and write.
About your text “The Importance of Reading”, I agree with your mention that people should read daily. I also believe that besides reading daily, they also should start to read since they are young children. The Parents of young children should read to their offspring and show them the book’s pictures, since they are born. By encouraging them to read on an early age, these children will grow up reading daily and finding joy in reading. These infants will become better adults, full of knowledge.
Unfortunately, many persons read, but they don’t understand what they read; that’s why they feel bored for lack of understanding the meaning of the context they read. Losing their interesting for reading, they also lose the chance to know how far they could go; how much good knowledge they could achieve in reading. People should think about what they read while reading, to make their reading and writing skills more comprehensible; meaningful.
The literature’s appreciation and fascination will remain the same for those who enjoy reading and comprehending the meaning of what they read.
Take care!
Sincerely,
Elenice Soares