
É realmente certo aquele pensamento que nos ensina a razão pela qual temos apenas uma boca e dois ouvidos, de forma proposital, de modo que, proporcionalmente, seja preciso ouvir duas vezes, pelo menos, mais do que falar. No entanto, a tendência é falar bem mais, falar o tempo todo, até que não se saiba nem mais o que está se falando ou se é preciso ser realmente falado. Desde pequenos, ainda em casa, somos ensinados e motivados a falar, mas nunca a ouvir. Recebemos carinhos e os parabéns pelas primeiras palavras. Na escola, aprendemos a ler, a escrever, a falar ainda mais, mas, quanto à habilidade da verdadeira audição, aprender a realmente escutar o que está sendo dito, com paciência e atenção, não nos ensinam, até porque ninguém realmente se preocupa com isso. Os professores falam, os alunos falam ao mesmo tempo, ninguém ouve ninguém e, portanto, não há aprendizado de nenhuma as partes, e o caos se instaura, não que seja esse o principal, muito menos o único problema da Educação, infelizmente!
Apesar deste intróito, este texto não tratará dessa temática; Augusto Cury, um estudioso gabaritado nesse assunto (e de tantos outros), já fala e escreve com propriedade sobre a importância de saber escutar. O que, na verdade, pretendo é compartilhar o quanto minha saúde melhorou com a prática do Neti–kryia, através do Lota. Mas afinal, onde diabos a tal introdução se encaixa? A resposta é simples – eu jamais teria tido tal benefício se eu não soubesse ouvir.
Atendo-se, então, ao tema proposto: há menos de quatro meses, ainda no mês de novembro do ano passado, eu procurei um otorrinolaringologista mais uma vez, devido aos meus renitentes e inconvenientes ataques de rinossinusite (dizem que se fala assim atualmente). De dois em dois meses, praticamente, eu era acometido por um ataque, sempre depois de gripes e até simples resfriados. Quase não se lembrava das noites que não ficava com as narinas obstruídas. Relatei ao especialista que ainda no mês de setembro, tive uma crise de sinusite tão forte, que tomei quase um mês de antibióticos diferentes (três tipos ao todo), prescrito por outro médico, até que o problema amainasse. O otorrino pediu-me, logo de cara, uma tomografia computadorizada dos seios da face. Eis o resultado, a chamada “impressão”: “sinusopatia crônica fronto-etmo-maxilar direita, com sinais de agudização; pequeno cisto de retenção/pólipo na parede lateral do seio maxilar esquerdo; desvio para a direita do septo nasal com pequeno esporão ósseo vômero-septal tocando o corneto nasal inferior ipsilateral”. É, eu sei, técnico demais, mas, mesmo para um leigo, fica claro que há sinusite crônica, além de outros males. O especialista, com o resultado em mãos, não hesitou: “mais quatorze dias de antibiótico e cirurgia”. Voltei para casa desiludido. Não fiz nenhuma coisa nem outra.
Em meados de janeiro deste ano, ao contar a minha sina a um amigo, escutei (com paciência e atenção) que a mesma moléstia pairava sobre sua vida e, que através do Lota, seu problema havia sido resolvido. Vacilei por um instante, mesmo após a explicação completa, afinal, um simples potinho de água morna com sal não resolveria meu problema, e, além do mais, meu caso era de “tratamento-cirúrgico!”. Mas quando realmente se escuta, reflete-se mais tarde, a ideia fica arraigada em você, até, quem sabe, dar frutos.
Além de considerar-me bom ouvinte, sou curioso e, principalmente, impulsivo – comprei o tal do Lota, um recipiente destinado à higienização nasal. A Neti–kryia (em hindu), a prática de limpeza nasal, é feita desde os tempos mais remotos na Índia (aprofundei-me no assunto e na prática!). Coloca-se dentro do recipiente, água filtrada e morna com uma colher de chá de sal. Depois é só reclinar o tronco, com as pernas afastadas, virar a cabeça e introduzir o Lota em uma narina de cada vez, até que o liquido encha cada seio maxilar e saia pela outra narina. Leva-se, no máximo, cinco minutos.
É preciso dizer que, com o uso do Lota, a minha vida melhorou? Não tenho mais as narinas obstruídas, minhas noites de sono, sobretudo, são maravilhosas; não sinto mais aquela dor incômoda por trás dos olhos, típica da sinusite; não peguei mais gripe forte (até agora!) e não tenho mais coriza. Posso dizer que estou curado? Não, seria mentira de minha parte, até por ser um problema crônico; não obstante, posso afirmar, categoricamente, que a higienização nasal funciona.
E por que funciona? A resposta é lógica – como minha sinusite é crônica, há sempre produção e fluxo de excesso de muco em meus seios da face. Sem a remoção diária das impurezas, a secreção acumulava-se e havia a proliferação de vírus e/ou bactérias, causando, após certo tempo, inflamação e obstrução total das cavidades. Quando a crise estava aguda, os médicos receitavam antibióticos e, assim, a maioria dos microorganismos morria e o problema era “mascarado”. Portanto, com o uso do Lota diariamente, esse círculo vicioso não ocorre mais.
Com tal resposta, abre-se brecha para mais duas perguntas – os especialistas têm ciência que tal técnica é eficiente? Com absoluta certeza! Primeiro porque a esmagadora maioria deles já recomenda a limpeza nasal com soro fisiológico na seringa, o que, trocando em miúdos, é praticamente a mesma coisa que colocar sal e água em um recipiente próprio para isso; segundo porque diversos estudos científicos já dão conta que essa prática seja realmente benéfica não só para sinusite, mas para rinite, alergias, apneia, gripes, resfriados, mau-hálito, poluição, ressecamento da mucosa nasal e outros problemas relacionados à face. E devo acrescentar que os estudos também apontam que essa prática não é só recomendada para tratar tais males, mas também para preveni-los. O que nos leva para a nossa segunda pergunta – se é assim, por que raios os médicos não indicam a Neti–kryia com mais ênfase e em uníssono? Respondo com uma indagação – por que eles fariam isso se é bem mais lucrativo vender consultas, antibióticos e outros tantos medicamentos periodicamente e fazer cirurgias? O mercado sempre vai ansiar pela manutenção da patologia. Não é nada lucrativo eliminar completamente uma doença, mas mitigá-la, para que sempre esteja ali, à espreita, extorquindo dinheiro do paciente, de tempos em tempos, é o ideal. O problema é que, muito mais do que sorver as economias, suga-se a qualidade de vida da pessoa, tornando-a escrava de sua moléstia.
De qualquer forma, caro leitor, fica a dica do uso do Lota para prática do Neti–kryia diariamente. Atualmente, eu uso o Lota duas vezes ao dia, de manhã e no final da tarde. Quando sinto que peguei um resfriado, além da colher de sal, uso duas gotas de extrato de própolis (sem álcool) ou duas gostas de limão. Caso queira mais informações sobre tudo, pesquise em sites especializados. O Lota é encontrado em centros de ioga e, por encomenda, na internet.
Sem dúvida alguma a escuta é um dom extraordinário. A necessidade que muitos tem de falar sem ter nada a dizer acaba criando eternos monólogos. Chega a ser uma questão matemática: se numa conversa de dez minutos eu falo incessantemente por nove minutos e meio, quanto tempo eu ofereço para o outro me dizer algo? A grande maioria dos contatos humanos ocorre dessa maneira. Um dos interlocutores fala demais sem se preocupar com o que o outro tem a dizer.
ResponderExcluirE por que não trazermos essa realidade para os consultórios médicos? Em todos os campos temos profissionais e "profissionais", contudo, creio que a área da medicina deveria oferecer um atendimento altamente humanizado, diferenciado do tratamento oferecido por profissionais de outros campos.
A doença do corpo na maioria das vezes é fruto de um processo de somatização, ou seja, transferimos para o físico aquilo que nos aflige e incomoda psicologicamente. É óbvio que se existe uma doença diagnosticada esta deve ser tratada através dos recursos da medicina. Porém o atendimento médico deveria priorizar a fala do paciente. É claro, sabemos que na maioria das vezes isso não ocorre; a necessidade de se atender um maior número de pacientes num espaço curto de tempo torna as consultas extremamente rápidas e impessoais.
Não somente o médico, mas o professor, o cobrador de ônibus, o vizinho, enfim; qualquer um pode oferecer a generosidade de ceder ao seu próximo um momento de escuta. Muitos não sabem o benefício que isto pode trazer para o outro e também para si.
A busca pelo aperfeiçoamento das relações humanas deve ter início no auto-aperfeiçoamento e isto pode ser alcançado também pela busca de qualidade de vida.
Vale a pena conhecer, ao menos, o que as diversas culturas tem a nos oferecer, em todos os campos. O conhecimento deve se frutificar e para tanto tem que ser socializado.
Neti-Kryia, Lota ... além do conhecimento científico posso, quem sabe, melhorar minha qualidade de vida... Nossa! isso tem que ser passado adiante!!! Quem tem ouvidos que ouça!
Paula Freitas
As mensagens podem ser transmitidas de varias outras maneiras alem do falar e do houvir: elas podem ser transmitidas pela internete, pelo correio, pelas propagandas, pelos desenhos, pelos gestos, pelas atitudes, pelas expressoes faciais, pelo olhar, etc.
ResponderExcluirA verdade e’ que existem pessoas que falam tantas coisas sem importancia que ninguem quer houvir, mesmo se tivessem tres houvidos.
As pessoas so’ houvem verdadeiramente quando interessam pela mensagem transmitida, independente de ter dois houvidos ou nao, a mensagem para ser selecionada, tem que ter importancia e ser significativa para o receptor.
Quanto aos professores, eles tem que ser persistentes com as normas de sala de aula, com as instrucoes academicas e saber transmitir a mensagem de forma significativa, para que os alunos entendam a importancia da educacao.
A questao da medicina natural sempre existiu, tem custo irrisorio e as vezes funciona para muitos, mas nem sempre os resultados sao os mesmo para todos.
“Communication is about more than talking and listening, it’s about understanding.”
ES
Acho que a arte de saber ouvir é treinamento, costume, como quase tudo na vida. Essa questão ultrapassa o ponto do entendimento e da significação, é muito maior. Saber ouvir é ser sujeito paciente, é dar atenção sem esperar nada em troca, é colocar-se no lugar do outro, sendo altruísta. Mais uma coisa, a medicina alternativa, assim como a medicina tradicional e qualquer outra coisa, pode funcionar ou não. Bem, na vida, tudo é relativo. Se vale a pena experimentar a tal técnica indiana, vai depender da escolha de cada um.
ResponderExcluirRogério F. C.
Gostaria de fazer um comentário sobre professores e alunos, apesar de não ser o foco do texto. Aliás, nem a questão de saber ouvir é, conforme relatado pelo próprio autor. Os problemas da Educação são mais complexos do que simplesmente colocar a culpa no professor ou no aluno. Passa por gestão, estrutura, recursos financeiros, politicagem, qualificação, investimento etc. São tantas coisas...
ResponderExcluirJúlia.
Quanto a questão da audição, digo ao amigo, que estamos vivendo uma era de egocentrismo tão aguda, que aqui no ocidente, a orelha ganhou status de ornamentação do corpo e perdeu a funcionalidade. Estudo filosofia à maneira clássica, há mais de quatro anos, e na Nova Acrópole, a escola que ministra este curso; uma das primeiras aulas do aluno, é meditação, concentração, habilidade de ouvir e habilidade de raciocínio.
ResponderExcluirQuanto ao tratamento alternativo utilizado,devo informar que no oriente, principalmente na região do Tibet, as escolas ensinam aos alunos todos os segredos da medicina homeopática, justamente para que não fiquem dependentes dos especialista. Aqui no ocidente,rouba-se o conhecimento dos indíginas, vende a fórmula para um grande laboratório, e depois mata o índio,para que ele não continue divulgando o seu nativo conhecimento.
Sem dúvida, o ato de realmente escutar também é uma meditação, sobretudo porque você tem que lutar para concentrar-se no que está sendo dito, indo contra a impulsividade de expressar-se e querer atropelar a fala e as ideias do outro. Você não tem que escutar apenas por interesse, mas, simplesmente, porque o outro precisa ser ouvido e, além do mais, tudo pode ser aproveitado. Bela dica sobre o Lota. Eu uso já há alguns anos e, deveras, funciona.
ResponderExcluirJonas Rocha
Olá! Essa técnica de higienização nasal é realmente eficiente. É importante ser dito que ela não cura uma sinusite CRÔNICA, mas abranda e previni. Uma "lavagem" nos seios da face feita por um otorrino, com o uso de soro e antibióticos, retira todas as impurezas e pode trazer a cura. Depois é só usar o Lota periodicamente. Dessa forma, dificilmente o problema retornará.
ResponderExcluirYoga woman