
Através dos cantos dos olhos, eu a vi em meio à multidão. Não fosse sua aparência ominosa e sua feição tétrica, eu não a teria notado – seria mais uma entre as muitas que passam pela vida.
Seu rosto pálido era encarquilhado e trazia consigo todas as cicatrizes mundanas. Os cabelos longos e negros, pendidos sobre a face, não conseguiam ocultar seu sofrimento penetrante. Ela seguia arqueada.
As pessoas que passavam à sua volta eram coloridas, matizadas com diferentes tonalidades e, vez ou outra, cintilavam. Em dissonância, ela vestia um manto negro e fosco.
De súbito, ela parou e cravou seus olhos embaciados em mim. Suas pupilas, chafurdadas nas íris acinzentadas, dilataram-se. Ela simplesmente não piscava e parecia surpresa em ver-me.
Um sortimento de emoções complexas assolou-me. Eu continuaria a olhá-la de soslaio, tanto mais não fosse para mostrar indolência, mas não pude, empertiguei-me e enfrentei meu destino, olhando-a diretamente. Contemplava-a agora, sem mais dissimular.
Contudo, em um instante de lucidez, resolvi parar de encará-la e me olhei. Bastou. Eu já não possuía mais brilho algum – era como ela! Uma tristeza profunda vestiu meu ser, fui prostrado por uma dor lancinante.
Em meio à multidão matizada de cores e resplandecente, éramos diferentes, éramos um só.
Palmas! muitas palmas! Perdi as palavras, não sei o que dizer.Talvez seja a emoção. Digo apenas que você é um poço inesgotável de inspiração e que cada texto seu me surpreende com o melhor. Magnífico! Esta é a palavra que posso expressar sobre o que acabei de ler.
ResponderExcluirnossa que lindo ! vou copiar kk'
ResponderExcluirmuito perfeitoo !
voce fez isso com o coraçao e isso que importa !
meu Deus que lindooooo !
bjs!
Hi Eduardo,
ResponderExcluirInteresting text… The eye’s picture from your text is surreal!
Os que coloriram e resplandeceram essa estoria foram “os diferentes, os sem cores; os um so,” que na verdade sao mais de um...
Os autenticos sempre reconhecerao os seus semelhantes, mesmo diante da imensa multidao camaleonica. Ainda bem!
Have a nice weekend and a pleasure holiday!
ES.
Interessante reflexão pois tendemos a reconhecer no outro aquilo que julgamos ser apenas dele, quando, na verdade, é essencialmente nosso.
ResponderExcluirEi Cadu, adorei o seu texto,nos prendeu (mais 2 amigas o leram comigo=) do inicio ao fim. Acho incrível, a sua capacidade de em poucas linhas tecer coisas que nos fazem pensar/promovem identificação.
ResponderExcluirE pensar que as vezes somos espelhos do outro, talvez porque nós recusemos a ver o outro como um possível espelho... Parei pra pensar em pais, professores e valores ;)
Muito bom. Bela descrição de um momento de epifania. []s
ResponderExcluirADOREI!!!!
ResponderExcluireu acho q vou ser psicóloga
pois eu sei quando alguém tem capacidade de produzir e explorar este tipo de dom,se expressando através das letras!!!
continue assim e aproveite este dom,pois é um presente de Deus pra você!
Kiss......tchauu