terça-feira, 25 de agosto de 2009

Possessão (Carlos Eduardo F. M.)


Por favor, caros leitores, não me entendam mal. A possessão do título a que me refiro aqui, não é a espiritual, muito menos a demoníaca, definitivamente. Ainda assim, a possessão da qual escrevo é, em minha modesta opinião, um dos grandes males da humanidade. Grande parte das mazelas mundanas provém dela, do ato de sempre querer possuir algo ou alguém.

Uma das Quatro Nobres Verdades de Buda, no qual é baseada a doutrina budista, é a de que a origem do sofrimento é o desejo. E, apesar de eu não ser um adepto dessa corrente filosófica (apenas um admirador), eu concordo em gênero, número e caso. É inata aos seres humanos a infindável vocação em desejar e, quando deseja possuir, concomitantemente, o ser humano bebe da fonte da dor, de maneira inevitável.

É trágico e irônico o fato de sempre querer ter algo ser vicioso e infindável. Quando você consegue, por ventura, possuir algo ou alguém que tanto desejava, logo, perde-se o interesse e passa-se a querer ter outra coisa ou alguém, e isso nunca acaba, tornando-se um ciclo de agonia e consternação. Pergunto: você já conseguiu aquilo que tanto quis ter? Ou ainda, o que você está querendo ter agora? De qualquer forma, é exatamente por isso que o ser humano sente que sempre está faltando algo, aquele vazio inexplicável.

Quando a pessoa cessa com o desejo, ela atinge a completude e tudo basta. Sua luz interna pulsa e nutre. É fácil assim deixar de sofrer? Não, não é! Quando o assunto é lutar contra você mesmo, não há facilidade. A contenda, no caso, é contra você mesmo e é incessante, acontece a cada tomada de ar e segue até o último sopro de vida. Por entre as fendas desse entrave temos: quem vence a si mesmo a cada pequeno momento é imbatível e atinge a excelência!

Jean-Baptiste Alphonse Karr, crítico, jornalista e escritor francês, já dizia sabiamente: "A propriedade é uma armadilha; aquilo que julgamos possuir, na realidade possui-nos". Essa é a verdadeira possessão, o desejo desenfreado e alucinógeno que o homem tem de querer possuir e ainda enganar-se sobre sua obsessão, sendo completamente dominado por ela.

Finalizo com minha indagação, mais uma vez: o que você está querendo possuir agora?
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Obra de Tom Durham. Giz de cera sobre tela. Obra: Máscara Grega 8.(141x193cm). http://fineartamerica.com/featured/greek-mask-8-tom-durham.html

9 comentários:

  1. Temática esta sempre atual para ser abordada.
    Enquanto seres humanos somos sujeitos desejantes. O desejo só se finda com a morte. Paralelo a isto temos a depressão que se caracteriza pela falta de desejo, de repente um tema também legal para ser abordado de forma crítica.
    Valeu pela contribuição.
    BJS!!!
    Paula

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  2. Este texto é tão espetacular, tão surpreendente que li de um sopro e queria mais, muito mais. Digo-lhe que o tema desta crônica revelou um lado seu que eu já desconfiava existir, mas não tinha certeza. Um lado que combina com que penso e que é difícil de encontrar ressonância. Porém, não vou me alongar. Só quero que saiba que estou saboreano os seus textos.
    Seu amigo,
    J Vieira

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  3. José Vieira, meu caro poeta, eu agradeço-lhe pelos seus comentários, que além de construtivos são poéticos e doces. Meus textos são para pessoas como você, que sabem saborear a leitura, sorvendo vagarosamente as palavras e sentindo o significado que jaz por trás de cada uma delas. Obrigado de coração.

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  4. A palavra obsessao e’ anbigua: O obsessessivo usa a obssessao para o bem, e tambem para o mau.
    No texto essa anbiguidade nao e’ citada, porem discreve a obsessessao humana de sempre querer mais.
    Ate que ponto essa obssessao e’ saudavel?
    Ate a proxima,
    Elenice Soares

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  5. First of all, thanks for your comment, dear friend Elenice. I must say I didn’t mean to use the word obsession in an ambiguous manner anyway. I also think there is not anything good about obsession; actually, it is etymologically a negative word, therefore, obsession will never be healthy. See you later, alligator!

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  6. Dear friend Eduardo,

    Thank you for your reply!

    I didn’t say that you used the word "obsession" in an ambiguous way, on your text.
    I said that, “I think” the word “Obsession” is ambiguous itself.
    I disagree when you said that “There is not anything good about obsession.”
    I "believe" that there is something good about this word,such as: care about others,
    improvement of academic education;a good health plan for everyone, the respect for others, etc.
    These are good kinds of "obsessions." They don’t harm anyone!

    What do you think?

    See you later alligator!

    Elenice Soares

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  7. My dearest,
    Well, I told you the word obsession is etymologically negative, because it comes from the Latin word obsessione: compulsive thought, fixation; craziness about a certain issue; excessive preoccupation… So, there is nothing good about obsession even with we apply it to the subjects you wrote, is there? And if we assume it is a negative word, it can’t be ambiguous, for you can’t use it meaning a good thing. The most you can get from it is being ironic or sarcastic, which is not the point of our reasoning.
    See you.

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  8. Ricardo de Castro e Silva3 de setembro de 2009 às 19:55

    Esse desejo anda lado a lado com a humanidade. Fato! Se pegarmos o imenso rol de pensadores e escritos sobre os caminhos do homem na Terra veremos o quão importante e necessário é compreendermos essa temática.
    Esse conceito ganha superdimensão à partir do advento do capitalismo, e de lá para cá, o desejo de possuir algo, alguém ou os dois - já que o capitalismo não distingue coisas de pessoas - é tão voraz e veloz quanto uma águia detonando um camundongo.
    Abração Cadu e continue escrevendo e pensando...

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  9. oieee!professor eu amei as literaturas que você escreveu!nossa,muito interessante viu?
    valeu a pena visitar o seu blog!bjsss

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